"Minha experiência com leitura e escrita vem de muito cedo. Nasci numa família de professores, minha mãe era professora primária, que sempre nos fascinou, a mim e aos meus sete irmãos, pela paixão que dedicava à docência.
Mas minha história no mundo da leitura e escrita começou quando eu tinha uns cinco anos de idade, minha irmã mais velha, que já estava no ginásio, brincava em casa comigo de escola, onde ela era a professora e eu era seu aluno, dessa forma, quando fui matriculado no antigo pré-primário, já conhecia as letras do alfabeto, os números, etc.
Lembro, também, dos livros de histórias infantis que minha mãe lia pra nós à noite, antes de dormir. A maneira com que ela contava aquelas histórias com tanta emoção nos fazia viajar para o mundo da história que estava sendo contada."
(Alexandre Hartung)
"Minha experiência com leitura e escrita começou no período escolar,mais precisamente na 1ªsérie. Lembro-me das lições da famosa cartilha Caminho Suave, que ainda nos causa aquele ar de melancolia e que nos faz dizer até hoje "que se fosse adotada,as crianças aprenderiam a ler melhor". Minha professora ,a tia Neide,tinha que cuidar de mim e mais 39 crianças (pois éramos 40) e eu não conseguia aprender a ler. Ao pedir que lesse em voz alta, não consegui, fiquei muito triste e disse "Tia Neide, eu não consigo!". Ouvi burburinhos de meus coleguinhas rindo de mim, mas na hora a tia Neide os repreendeu. Ela, muito pacientemente pegou meu caderno, escreveu um bilhete e disse que era para eu mostrar à minha mãe.
Cheguei em casa muito triste, dizendo que não queria ir mais à escola, em meio às lágrimas e soluços de ressentimentos. Como sempre, minha mãe olhou meus cadernos, e leu o bilhete que a professora escreveu, que dizia mais ou menos assim: "Mãe, a Aline está com dificuldades na leitura. Peço que a senhora a ajude a ler, pois com 40 crianças para tomar conta, não consigo. Qualquer coisa, a senhora pode vir falar comigo. Beijos, Tia Neide". Ao ler o bilhete, minha mãe olhou firme para mim e disse: "Agora, vamos aprender a ler. Pega a sua cartilha".
Com as primeiras lições, minha mãe que era bordadeira, sem o 2ºgrau completo, começou a me ensinar. Juntando uma sílaba aqui, outra sílaba ali, saiu a primeira frase que consegui ler sozinha: "O bebê baba. Ba, be, bi, bo, bu."
Tive como primeira mestra a minha humilde mãezinha, que tenho a felicidade de tê-la ao meu lado..."
(Aline Nunes de Oliveira Machado dos Santos)
"Minha experiência com leitura e escrita, vem desde muito cedo, pois em casa, apesar de meus pais não terem concluído os estudos, minha mãe nos contava muitas histórias todas as noites: sentávamos na calçada com os vizinhos e para manter a criançada por perto, eram horas de histórias, contos folclóricos, literatura infantil. Meus pais foram grandes incentivadores, pois meu pai não deixava faltar jornal e minha mãe gibis em casa. Lembro-me de quantas vezes ficávamos curiosos para descobrir as respostas das palavras cruzadas expressas nos jornais.
Uma outra experiência que me marcou muito, em sala de aula (como aluna), foi quando eu estava estudando para o Magistério, e a professora de Português, determinou que para aquele bimestre fosse lido o livro "O Grande Mentecapto", de Fernando Sabino. Na época, tinha prazo para a leitura e faríamos o debate sobre o livro como avaliação. Não o li, porque não me interessei , ainda mais sabendo que teria cobrança: nota, prova, etc. No dia do debate, por sorte não fui escolhida para começar e tão pouco participei, mas fiquei super interessada e curiosa ao ouvir o pessoal comentando sobre o livro. Resultado: sem nota, sem cobrança, sem ter que apresentar nada a ninguém, no outro dia, procurei emprestar o livro e começar a leitura. Foi uma delícia e ao mesmo tempo arrependimento, por não ter compartilhado da conversa.
Devido a isso, hoje em dia, procuro sempre ler a sinopse ou comentar algo sobre o livro para os meus alunos e até mesmo para a minha filha, seja de literatura ou paradidáticos, para que desperte nos mesmos o interesse pela leitura."
(Ana Lúcia de Arruda Campos)
"Minha experiência é muito rica, fazia um esforço enorme para estudar, pois morava na zona rural e vinha estudar na cidade, saía muito cedo e ainda trazia minha irmã na rabeira da bicicleta, era muito difícil mas também, muito prazeroso, pois sempre amei estudar e fazia tudo com muito prazer. Meu primeiro contato com os livros foi na escola, tanto que me dediquei ao Magistério e depois a Faculdade.
Tenho uma grande paixão por livros e meu marido também, incentivamos muito, nosso filho de 10 anos a ler, ele pega livros na Biblioteca Municipal e na minha casa tenho um biblioteca montada, também."
(Angela Maria Calca Fracarolli)
"Minha experiência com leitura começou desde cedo, lembro que desde pequeno aos domingos na casa de meus avós, após o almoço, meu avô juntava todos os netos em volta da mesa e contava histórias sobre o sítio onde ele morava quando pequeno, saía de tudo: Saci, Mula-sem cabeça, luzes que o seguiam à noite, quando ele andava pelo sítio, sobre animais, entre tantas outras histórias, não víamos a hora de chegar o domingo pra escutar. Também, minha mãe, em casa lia muito para as minhas irmãs e para mim. Com isso fomos pegando o gosto por histórias, pois nos levava a um mundo mágico de nossa imaginação. Com o tempo, comecei a buscar livros e textos, vi na leitura a construção de um mundo mágico, lendo aqueles livros, lembro-me que gostava de livros sem gravuras,pois, assim, imaginava as personagens e os lugares à minha maneira."
(Bruno de Freitas Fernandes)
"Minha
primeira experiência com a leitura foi aos 6 anos com muito medo que não
acontecesse pois entrei na 1ª série (2º ano hoje) para completar uma classe na
zona rural senão fecharia a escola, tudo era maravilhoso, mas também muito
restrito, lá só tinham livros didáticos que tínhamos que comprar com muito
sacrifício, então a gente tinha medo até de usar, mas a curiosidade era imensa,
sem a professora pedir em casa engolia tudo que existia neles, com uma sensação
de medo de estar fazendo algo errado.... Mais tarde já na 5ª série (6º ano)
passei a estudar na cidade onde na escola havia poucos livros e lembro que a
biblioteca era na sala do diretor os professores quase não pediam leituras, o
livro era considerado como jóia, meus pais não conheciam a biblioteca municipal
onde lá sim podíamos retirar livros e sonhar. Eu tinha sede de aprender, pois
vinha de uma escola onde não tínhamos nada além de quatro fileiras de carteiras
e quatro séries que uma só professora tinha de dar conta de ensinar, com poucos
recursos, mas felizmente com boa vontade.
Fui
aprender o gosto verdadeiro pela leitura já no ensino médio e mais tarde com
intensidade como coordenadora de uma escola de séries iniciais, onde cada livro
que chegava era uma felicidade e um encanto ouvir e ver crianças tão novas
lendo e escrevendo tão bem."
(Cássia
Silene Rubio)






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